Estudo confirma ligação entre ação humana e efeito estufa

Mudanças climáticas causadas pelo homem fizeram com que plantas florescerem mais cedo, folhas caírem mais tarde no outono e alguns ursos polares se tornassem canibais, afirmou um vasto estudo global divulgado nesta quarta-feira (14).

Centenas de estudos anteriores notaram esse tipo de mudança específica e a maior parte deles sugeriu uma ligação entre a chamada mudança climática antropogênica, mas essa nova análise publicada na revista Nature correlacionou esses estudos anteriores com mudanças de temperatura, disse o autor principal do trabalho.

Eles encontraram uma forte relação entre as mudanças climáticas observadas entre 1970 e 2004 e mudanças em plantas, animais e em outros aspectos físicos do planeta, como o rápido derretimento das camadas de gelo e o nível de água nos lagos desérticos, encontrou o estudo.

"Quando você olha para todas as geleiras, para todos os pássaros botando ovos mais cedo, para todas as plantas florescendo mais cedo, então você consegue detectar os sinais antropogênicos", disse Cynthia Rosenzweig, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa.

Eles trabalharam para excluir observações que pudessem ter sido causadas por outros fatores que não as mudanças climáticas devido a ações do homem.

Rosenzweig e os co-autores do estudo juntaram cerca de 30 mil trabalhos sobre mudanças biológicas e físicas em todo o mundo, e então cruzaram essas informações com um banco de dados detalhado sobre mudanças de temperatura.

Pingüins, Usos polares e pólen - "Nós sobrepusemos dois bancos de dados globais e então fizemos uma análise em busca de padrões que pudessem ser observados globalmente, procurando por localizações que apresentassem, ao mesmo tempo, padrões de mudanças significativas de temperatura e mudanças consistentes com o aquecimento", disse a autora principal. "Nós encontramos que ambos estão firmemente co-alocados."

Em uma escala global, a correlação é de mais de 99% entre os dois fatores (aumento de temperaturas e mudanças biológicas e físicas); em uma escala continental, ela disse, a correlação fica entre 90 e 99%.

Indo de continente a continente, aqui estão algumas mudanças observadas no mundo natural e que podem ser atribuídas às mudanças climáticas, de acordo com o estudo:

- América do Norte: Florescimento precoce de plantas de 89 espécies; predação intra-específica; canibalismo e população declinante entre ursos polares; reprodução antecipada de alguns pássaros.

Ursos polares foram listados nesta quarta-feira como espécie ameaçada pelo U.S. Endangered Species Act devido aos danos ambientais observados em seu habitat, anunciou o secretário do interior, Dirk Kempthorne.

- Europa: Derretimento de geleiras nos Alpes; mudanças em 19 países do padrão de folhas e florescimento de algumas plantas; liberação antecipada de pólen na Holanda; mudanças de longo prazo nos cardumes do rio Reno.

- Ásia: crescimento exacerbado dos pinheiros siberianos na Mongólia; degelo antecipado dos lagos na Mongólia; mudança na profundidade do gelo eterno na Rússia; florescimento precoce do ginko no Japão.

- América do Sul: Perda de geleiras no Peru; derretimento do gelo na Patagônia e conseqüente aumento do nível do mar.

- África: Decréscimo no ecossistema aquático do lago Tanganyika.

- Austrália: Chegada antecipada de pássaros migratórios; declínio do nível de água do lago Victoria.

- Antártica: Declínio de 50% na população de pingüins imperadores na península; retração das geleira.   (Fonte: Estadão Online)

Nível de gás carbônico na Terra é o maior em 800 mil anos, diz estudo

A concentração de gases do efeito estufa na atmosfera é mais alta atualmente do que em qualquer momento dos últimos 800 mil anos, no mínimo. É o que afirma um estudo divulgado nesta quarta-feira (14) e realizado com base em amostras de gelo da Antártida. É mais uma prova de que a humanidade está alterando o clima do planeta.

O dióxido de carbono e o metano presos nas pequenas bolhas de ar de camadas antigas de gelo, encontradas a 3.200 metros de profundidade abaixo da superfície da Antártida, acrescentam 150 mil anos a mais de dados aos registros que se estendiam até então a 650 mil anos atrás.

"Podemos dizer com segurança que a concentração de dióxido de carbono e de metano é hoje, respectivamente, 28% e 124% maior do que durante os últimos 800 mil anos", afirmou Thomas Stocker, pesquisador da Universidade de Berna (Suíça) e autor do estudo.

Revolução Industrial - Antes da Revolução Industrial, os níveis de concentração dos gases do efeito estufa pautavam-se principalmente pelas alterações de longo prazo na órbita da Terra ao redor do Sol, responsáveis por iniciar e finalizar oito eras glaciais nos últimos 800 mil anos.

No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), responsabilizou as atividades humanas, e em especial a queima de combustíveis fósseis que libera gases do efeito estufa, pelo aquecimento global dos tempos modernos, o qual vem prejudicando o abastecimento de água e alimentos ao provocar uma intensificação de fenômenos como secas, enchentes e ondas de calor. "As forças determinantes hoje são muito diferentes das forças determinantes do passado, quando havia apenas a variação natural", afirma Stocker.

Também participaram da pesquisa outros cientistas da Suíça, da França e da Alemanha. Os especialistas, membros do Projeto Europeu de Prospecção do Gelo na Antártida, escavaram quase até o leito de pedra daquela região. Ao fazer isso, recuperaram camadas formadas por gelo comprimido e que guardam características da época em que surgiram.

Gelo mais profundo - Segundo Stocker, cientistas chineses e australianos analisam agora a possibilidade de escavar em regiões da Antártida onde há camadas de gelo ainda mais antigas, em alguns pontos a 4.500 metros de profundidade, o que poderia fornecer dados sobre o clima existente na Terra 1,5 milhão de anos atrás.

O artigo científico também revelou um novo recorde mínimo para a concentração de gás carbônico na atmosfera, de 172 partes por milhão (ppm) cerca de 667 mil anos atrás, ou algo em torno de 10 ppm menor que o recorde mínimo registrado antes. Sendo assim, essa cifra variou nos tempos remotos entre 172 ppm e 300 ppm.

O estudo sugeriu ainda que o recorde negativo pode ser um sinal de que os oceanos, antigamente, absorviam mais dióxido de carbono. Hoje em dia, a concentração desse gás na atmosfera é de cerca de 380 ppm. Vistos em conjunto, os dados "nos permitem conhecer mais a respeito do ciclo de carbono e de suas respostas às mudanças climáticas".

As temperaturas em uma era do gelo ficam entre 5 e 6 graus Celsius abaixo das temperaturas de hoje. As mudanças climáticas poderiam acrescentar algo entre 1,8 e 4 graus Celsius às temperaturas deste século, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC). (Fonte: G1)
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