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DANIELE ANDRADE DA CUNHA
A RESPIRAÇÃO ORAL EM CRIANÇAS REPERCUTE NO
ESTADO NUTRICIONAL?

Dissertação apresentada ao colegiado do
Programa de Pós-Graduação em Nutrição
do Departamento de Nutrição do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal
de Pernambuco, para obtenção do grau de
mestre em Nutrição (Área de Concentração:
Saúde Pública)

Mestranda: Daniele Andrade da Cunha
Orientadora: Profª Dra. Giselia Alves Pontes da Silva
RECIFE
2005
3
4
Cunha, Daniele Andrade da
A respiração oral em crianças repercute no
estado nutricional ? / Daniele Andrade da Cunha. –
Recife : O Autor, 2005.
xi, 58 folhas : il., tab.
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal
de Pernambuco. CCS. Nutrição, 2005.
Inclui bibliografia e anexos.
1. Nutrição – Saúde pública. 2. Crianças de 6 a 10
anos – Rinite alérgica – Respiração oral – Estado
nutricional. 3. Avaliação fonoaudiológica – Aeração
nasal e mastigação. 4. Crianças respiradoras orais –
Alterações nutricionais e alimentares. I. Título.
5
612.394 CDU (2.ed.) UFPE
612.31 CDD (22.ed.) BC2005-591
“Quando a respiração é calma,
profunda, regular e harmônica,
nossa energia aumenta e todo o
organismo se equilibra, a mente
torna-se lúcida e o corpo alerta e
sensitivo”
(J. A. Gaiarsa)
6
A Hilton Justino.
Lembro-me do dia em que você disse: “Dan, não
pare, faça o mestrado!” Pois é, eu fiz e a você
dedico esta etapa concluída na minha vida, como
forma de agradecer-lhe por tudo: pelo incentivo
constante, companheirismo incansável, paciência
em todas as horas, orientações profissionais
contínuas, e por tantas outras boas lembranças na
minha vida... A você, meu melhor professor,
supervisor, pesquisador, único e eterno amor!
Sua Dan
A meu Pai (in memorian),
O senhor me acompanhou em todos os momentos
de minha vida, sem exceção! Foi presente em tudo
relativo ao meu mestrado , desde o dia da seleção
a todos os dias de aulas, de coletas, de compras
dos pães...enfim.....Consegui defender porque você
estava lá comigo em pensamento, me segurando e
me dando força! E a você dedico minha defesa e
conclusão de uma etapa tão importante, mas que
sem você no momento não foi completo...e nem
nunca mais será..TE AMO eternamente!
Dani
7
AGRADECIMENTOS
O primeiro dia desse mestrado está associado à outra conquista na minha vida, o
restabelecimento da saúde de minha mãe. À você Inez, por simplesmente estar comigo
neste dia;
A Adelmo, meu pai, pela admiração silenciosa, eterno apoio, torcida e orgulho em todas
as minhas pequenas e grandes conquistas;
A minha irmã Renata que diversas vezes ficou sem seu computador e ouviu tanto sobre
respiração oral nos últimos anos;
A minha orientadora Profa. Dra. Giselia Alves Pontes da Silva, pelo acolhimento,
paciência e ensinamentos neste período. Meus sinceros aplausos e admiração por sua
dedicação e maestria na arte de pesquisar e orientar;
À Nutricionista Cibelle Rolim de Lima, pela ajuda incansável, pelo seu carinho e
amizade durante a coleta e análise dos dados;
A toda equipe de médicos, residentes, doutorandos e funcionários dos ambulatórios de
Pediatria e Alergologia dos Hospitais Barão de Lucena e Hospital das Clínicas, pela
disponibilidade e ajuda constantes durante a realização desta pesquisa;
À Profa. Dra. Eugenia Motta pela seriedade, capricho e cuidado demonstrados comigo
neste período;
Ao Prof. Dr. Pedro Cabral Lira, que com o brilhantismo de seu olhar acadêmico e
clínico, acompanhou de perto o nascimento desta idéia e não mediu esforços para tornála
uma possibilidade;
À Bianca Queiroga, pela atenção e contribuição na correção e sugestões neste trabalho;
À Profa. Dra. Mônica Osório pelo carinho e preciosos ensinamentos durante minha
permanência nesta pós-graduação;
Ao Prof. Dr. Malaquias Batista pelas suas contribuições nas primeiras leituras do meu
projeto e no desenvolvimento da pesquisa em Nutrição no nosso País;
Ao Prof. Raul Manhães, pela eterna torcida e grande incentivo à Fonoaudiologia e seus
pesquisadores neste programa de pós-graduação;
À Nutricionista Pollyana Cabral pelas indicações valiosas desde as fases iniciais de
elaboração do projeto;
À Simone Albuquerque e Cristiane Cunha, minhas companheiras de mestrado, pela
união, força e garra que fizeram com que nós conseguíssemos!;
8
À Neci Maria Santos do Nascimento, Secretária Executiva da Pós-Graduação em
Nutrição, por toda sua solicitude e paciência com todos os pós-graduandos;
À Luciana Pimentel, por sua presença em minha vida e por ter acreditado e confiado
sempre em uma Daniele Cunha;
À Ana Lúcia Leal por ter sempre uma palavra de incentivo, carinho, confiança e
compreensão em todos os momentos;
A todas as amigas que fazem da Fonoaudiologia uma ciência e que de forma direta ou
indireta ajudaram na realização desta pesquisa;
A todos do curso de Fonoaudiologia da UFPE, coordenadores, professores, funcionários
e alunos, por terem vivido junto comigo os primeiros momentos do mestrado;
A todas as amigas fonoaudiólogas que de alguma forma direta ou indiretamente
ajudaram na realização desta pesquisa, com indicações e sugestões importantes;
A todos os meus alunos e estagiários que durante todo este tempo de Mestrado, me
apoiaram, torceram e passaram comigo este momento importante;
A Hilton Justino da Silva, pela ajuda constante e por sempre ter uma palavra positiva e
dizer: tudo vai dar certo!
A todos os voluntários e seus respectivos responsáveis, sem vocês não haveria
resultados, discussões e conclusões nesta pesquisa!
A DEUS! Pois sem ele nada teria acontecido e eu não estaria aqui para agradecer a
todos vocês, só ele realmente para me dar forças para concluir! Obrigada é pouco...
9
SUMÁRIO
LISTA DE TABELAS
ix
RESUMO x
ABTRACT xi
1. INTRODUÇÃO 1
Referências Bibliográficas
5
2. ARTIGO I - REPERCUSSÕES DA RESPIRAÇÃO ORAL NO ESTADO
NUTRICIONAL: POR QUE ACONTECE?
6
Resumo 7
Abstract 8
Introdução 9
2.1 Respiração oral: causas mais comuns 10
2.2 Respiração oral: repercussões no processo de aprendizagem 13
2.3 Respiração oral: repercussões posturais e nas funções orofaciais 15
2.4 Respiração oral: repercussões no olfato e paladar 18
2.5 Respiração oral: repercussões no estado nutricional 19
Conclusão 22
Referências Bibliográficas 24
3. ARTIGO II - A RESPIRAÇÃO ORAL EM CRIANÇAS E SUAS
REPERCUSSÕES NO ESTADO NUTRICIONAL
28
Resumo 29
Abstract 30
Introdução 31
Métodos 33
Resultados 38
Discussão 43
Conclusão 52
Referências Bibliográficas 53
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS 57
5- ANEXOS
10
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Distribuição da amostra segundo idade, sexo, duração do aleitamento
materno - Recife, 2005.
38
Tabela 2. Distribuição da amostra segundo chefe da família, condições de
moradia, renda familiar e variáveis maternas - Recife, 2005.
39
Tabela 3. Distribuição da amostra segundo variáveis relacionadas ao olfato,
paladar, mastigação e aeração nasal - Recife, 2005.
40
Tabela 4. Distribuição da amostra segundo o estado nutricional. Recife, 2005.
41
Tabela 5. Distribuição da amostra segundo consumo do valor energético total e
de macronutrientes estimado pelo recordatório de 24h, Recife 2005.
42
11
RESUMO
A presente dissertação teve como um de seus objetivos analisar as alterações
miofuncionais orofaciais presentes na criança respiradora oral e suas repercussões sobre
o estado nutricional, enfocando a importância da equipe interdisciplinar no
acompanhamento das alterações globais presentes nos indivíduos afetados. Para este fim
foi realizada uma revisão da literatura, a partir de artigos publicados em revistas
científicas indexadas, livros e trabalhos de pós-graduação. Observou-se que a relação da
respiração oral com a modificação no processo geral de alimentação, associada às
dificuldades no olfato, paladar e distúrbios miofuncionais orofaciais podem repercutir
no estado nutricional e isto ressalta a importância de uma abordagem interdisciplinar na
atenção desta entidade clínica. Outro objetivo foi identificar o estado nutricional,
características mastigatórias, modo respiratório, olfato e paladar de crianças com
respiração oral com idade entre seis e 10 anos, e compará-las com um grupo de crianças
respiradoras nasais na mesma faixa etária. A coleta foi realizada nos Ambulatórios de
Alergologia e Pediatria do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de
Pernambuco e Hospital Barão de Lucena. Foram realizadas as seguintes avaliações:
aeração nasal, mastigação, estado nutricional e consumo alimentar. Embora não tenha
sido confirmada nesse estudo a hipótese de que crianças com respiração oral apresentem
alteração no estado nutricional, observou-se que as crianças respiradoras orais
apresentaram alterações no padrão de mastigação, quando comparadas ao grupo de
respiradores nasais. Também foi possível observar que a ingestão de lipídios e
carboidratos foi menor nas crianças de baixo peso e eutróficas respiradoras orais, dados
estes com diferença estatisticamente significante.
Palavras-chaves: respiração oral, estado nutricional, Fonoaudiologia, crianças
12
ABSTRACT
One aim of this dissertation was to analyze orofacial myofunctional alterations present
in oral breather children and repercussions in the nutritional state, focusing on the
importance of an interdisciplinary team in the accompaniment of the global alterations
present in the affected individuals. For such, a literature was done a review using
articles published in indexed scientific magazines, books and postgraduate studies. It
was observed that the relation between oral breathing and modifications in the general
alimentation process, associated to difficulties affecting the sense of smell, the sense of
taste and orofacial myofunctional disorders, as well as repercussions in the nutritional
state, underline the importance of an interdisciplinary approach to care regarding this
clinical condition. A second aim was to identify the nutritional state, masticatory
characteristics, respiratory mode, sense of smell and sense of taste among oral-breathing
children between the ages of six and 10 years, comparing them to a group of nasalbreathing
children in the same age group. Data was collected in the Allergology and
Pediatric Clinic of Hospital das Clínicas of Universidade Federal de Pernambuco and
the Hospital Barão de Lucena. The following evaluations were performed: nasal
aeration, mastication, nutritional state and food consumption. Although the hypothesis
that oral-breathers alterations in the nutritional state wasn`t confirmed in the present
study, was observed that the oral-breather exhibited alterations in the mastication
pattern when compared to the group of nasal breathers. It was also observed that the
ingestion of lipids and carbohydrates was lower among underweight children and wellnourished
oral-breathing children, with such data proving to have statistically
significant differences.
Key-words: oral breath, nutritional state, Speech Therapy, children
13
1. INTRODUÇÃO
14
____________________________________________________________
A respiração oral é uma ocorrência freqüente na infância, dentre as suas causas
(Di FRANCESCO et al., 2004) destacam-se a hipertrofia adenoamigdaliana e de
cornetos inferiores (Di FRANCESCO, 1999), atresia coanal, deformidades septais,
fratura, pólipos e tumores nasais (MONTONAGA et al., 2000), sendo a rinite alérgica
uma das mais freqüentes (STOKES e MATTIA, 1996).
A criança que apresenta respiração oral crônica, causada ou não pela obstrução
nasal, pode desenvolver várias alterações morfológicas, levando ao crescimento
inadequado do complexo dentofacial (HULCRANTZ et al., 1991).
Além de alterações craniofaciais e oclusais, a persistência de respiração oral
durante a fase de crescimento geralmente provoca alterações posturais, deficiências
escolares, alterações no sono, dos órgãos fonoarticulatórios e das funções
estomatognáticas de mastigação e deglutição (RIBEIRO et al., 2002).
A criança que não respira eficientemente pelo nariz mantém a boca aberta, e em
decorrência desta respiração de suplência oral pode apresentar sintomas variados, que
alteram sua dinâmica alimentar e levam à alteração do estado nutricional
(CARVALHO, 2003).
As repercussões da respiração oral no crescimento de crianças só nos últimos
anos têm provocado o interesse dos pesquisadores, assim, torna-se oportuno investigar
as possíveis relações das alterações orofaciais no estado nutricional do portador de
respiração oral, pois o desequilíbrio nessas funções vitais para o indivíduo, pode alterar
a condição nutricional da criança, podendo levar à desnutrição e muitas vezes ao
sobrepeso.
A Motricidade Orofacial (MO) é a área da Fonoaudiologia voltada para o estudo,
pesquisa, prevenção, avaliação, diagnóstico, desenvolvimento, habilitação,
15
aperfeiçoamento e reabilitação dos aspectos estruturais e funcionais das regiões
orofacial e cervical (SBFa, 2002).
Um dos papéis do fonoaudiólogo que atua em MO é recuperar a melhor
condição possível para o indivíduo desempenhar as funções como a deglutição e
mastigação, que dependem da integridade de estruturas de alguns sistemas, entre eles, o
respiratório (CAMARGO, 2001). Atualmente o campo da MO estabelece interfaces
com diferentes profissões, mas é com as áreas de Odontologia, Fisioterapia e Medicina
que existe maior interligação (SBFa, 2002).
A motivação para o desenvolvimento desta dissertação surge das observações,
na minha prática clínica, dos impedimentos nas condições das vias de alimentação,
muitas vezes presentes nas crianças respiradoras orais. A busca de um melhor
embasamento científico sobre as relações do peso e altura com os aspectos
miofuncionais orofaciais presentes no respirador oral, escassos na literatura, bem como
o interesse de sensibilizar a comunidade clínica sobre os aspectos interdisciplinares que
surgem no estudo desta temática, reforçam esta escolha.
A dissertação de mestrado será apresentada em forma de dois artigos. O
primeiro tem como título Repercussões da respiração oral no estado nutricional: por
que acontece?
, onde é feita uma análise das alterações miofuncionais orofaciais
presentes no indivíduo respirador oral e as repercussões sobre o estado nutricional.
Enfoca a importância da equipe interdisciplinar no acompanhamento das alterações
globais no respirador oral. Este artigo encontra-se formatado sob as normas da Revista
Fono Atual (Anexo 6), ISSN 1517-0632, título indexado em LILACS.
O segundo artigo intitulado A respiração oral em crianças e suas repercussões
no estado nutricional,
buscou identificar o estado nutricional, características da
mastigação, modo respiratório, olfato e paladar de crianças com respiração oral e
16
compará-las com um grupo de crianças respiradoras nasais. Está formatado seguindo as
normas da Revista Pró Fono (Anexo 7) ISSN 0104-5687, título indexado em
ADSAUDE, INDEX MEDICUS, LILACS e MEDLINE e posteriormente será
submetido para análise.
Os elementos pré e pós-textuais desta dissertação seguem a Regulamentação do
Formato de Tese, Dissertação e Monografia do Programa de Pós-Graduação em
Nutrição da UFPE (Anexo 8).
Ao final da dissertação foram, realizadas considerações sobre repercussões da
respiração oral no estado nutricional; as possibilidades de intervenção numa perspectiva
interdisciplinar; bem como sugestões para realização de futuras pesquisas que
contemplem o objeto estudado.
17
Referências Bibliográficas
CAMARGO, Z. Atendimento ao paciente com câncer de cabeça e pescoço. In:
HERNANDEZ, A.M.; MARCHESAN, I.Q. Atuação fonoaudiológica no ambiente
hospitalar. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. cap. 4, p. 67-79.
CARVALHO, G.D. Alterações alimentares e do apetite. In: CARVALHO, G.D. S.O.S.
Respirador Bucal. São Paulo: Lovise, 2003. cap.9, p.137-144.
Di FRANCESCO, R.C. Respiração bucal. A visão do otorinolaringologista. JBF., v.1, n.
1, p. 56-60, ago. 1999.
Di FRANCESCO, R.C.; PASSEROTI, G.; PAULUCCI, B.; MINITI, A. Respiração
Oral na criança: repercussões diferentes de acordo com o diagnóstico. Rev. bras
otorrinolaringol., v. 70, p. 665- 670, set. 2004.
HULCRANTZ, E.; LARSON, M.; HELLQUIST, R.; AHLQVIST-RASTAD, J.;
SVANHOLM, H.; JAKOBSON, O.P. The influence of tonsilar obstruction and
tonsillectomy on facial growth and dental arch morphology. Int. j. pediatr.
otorhinolaryngol., v. 22, n.2, p. 125-34. jul. 1991.
MONTONAGA, S.M.; BERTI, L.C.; ANSELMO-LIMA, W.T. Respiração bucal:
causas e alterações no sistema estomatognático. Rev. bras. otorrinolaringol., v. 66, n. 4,
p.373-379, jul. 2000.
RIBEIRO, F; BIANCONI, C.C.; MESQUITA, M.C.M.; ASSENCIO-FERREIRA, V.J.
Respiração oral: alterações oclusais e hábitos orais. Rev. CEFAC, v. 4, p. 187-190, abr.
2002.
SBFA (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia). Documento 01/2002 do Comitê de
Motricidade Oral da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. Disponível em:
http://www.sbfa.org.br/comites/comite_motricidade.htm. Acesso em: 22 mar. 2005.
STOKES, N; MATTIA, D.D. A student research review of the mouthbreathing habit:
discussing measurements methods, manifestations and treatment of the mouthbreathing
habit. Probe., v. 30, p. 212-4, fev. 1996.
18
2. ARTIGO 1
____________________________________________________________
REPERCUSSÕES DA RESPIRAÇÃO ORAL NO ESTADO
NUTRICIONAL: POR QUE ACONTECE?
19
REPERCUSSÕES DA RESPIRAÇÃO ORAL NO ESTADO NUTRICIONAL:
POR QUE ACONTECE?
RESUMO
O objetivo deste artigo é analisar as alterações miofuncionais orofaciais
presentes no indivíduo respirador oral e as repercussões sobre o estado
nutricional. Além de enfocar a importância da equipe interdisciplinar no
acompanhamento das alterações globais presentes na respiração oral. O
método utilizado foi a realização de uma revisão da literatura, a partir de artigos
publicados em revistas cientificas indexadas, livros e trabalhos de pósgraduação.
A maioria dos artigos foi identificada a partir das bases de dados,
LILACS, MEDLINE e SCIELO. Percebe-se relação da respiração oral com a
modificação no processo geral de alimentação, associada às dificuldades no
olfato, paladar e distúrbios miofuncionais orofaciais, repercutindo assim no
estado nutricional. Observa-se também que a diversidade de causas
envolvidas na respiração oral requer uma equipe interdisciplinar alerta para
estas alterações, possibilitando a implementação de medidas preventivas, que
evitem alterações na saúde geral, no desenvolvimento normal da face e no
estado nutricional em importantes fases do crescimento desses indivíduos.
Palavras-chave: respiração oral; estado nutricional; Fonoaudiologia;
interdisciplinaridade
20
REPERCUSSIONS OF ORAL BREATHING FOR NUTRITIONAL STATE:
WHY DOES IT OCCUR?
ABSTRACT:
The aim of the present article is to analyze the orofacial myofunctional
alterations present in oral breathing individuals and repercussions for the
nutritional state, as well as focus on the importance of the interdisciplinary team
in the follow-up of global alterations present in oral breathing. The method used
was the performance of a literature review using articles published in indexed
scientific journals, books and postgraduate studies. Most articles were identified
using the LILACS, MEDLINE and SCIELO databases. A relation was perceived
regarding oral breathing and a modification in the general eating process
associated with difficulties affecting the sense of smell and taste, as well as
orofacial myofunctional disorders with repercussions for the nutritional state. It
was also observed that the diversity of causes involved in oral breathing
requires an interdisciplinary team that is aware of such alterations, thereby
making possible the implementation of preventative measures to avoid
alterations in the overall health and to facilitate normal facial development and
the nutritional state in important growing phases of these individuals.
Keywords: oral breath; nutritional state; Speech Therapy; interdisciplinarity
21
INTRODUÇÃO
A presença de qualquer obstáculo nas vias aéreas superiores,
principalmente na região nasal e/ou faríngea, impede a livre passagem do ar,
obrigando o indivíduo a respirar pela boca, utilizando a cavidade oral como um
conduto passivo na respiração.
(1) Esses obstáculos nas vias aéreas superiores,
comumente, são causados por anormalidades estruturais, doenças
nasossinusais, entre outras.
(2)
Algumas crianças que respiram pela boca e apresentam apnéias
obstrutivas noturnas podem apresentar retardo do crescimento pônderoestatural,
pois a irregularidade do sono parece ser a causa da diminuição da
liberação noturna do hormônio do crescimento.
(3) A alteração no processo do
sono, leva ao cansaço freqüente, sonolência diurna, adinamia, enurese noturna
e até déficit de aprendizado.
(4)
Ao abrir a boca para respirar, ocorrem adaptações nas estruturas e um
desequilíbrio nas funções orofaciais. Essas alterações comprometem as
funções de mastigação e deglutição e, como conseqüência leva à dificuldades
no processo da alimentação, desse modo o crescimento global das crianças
com respiração oral pode ser prejudicado, bem como o estado nutricional.
(3)
Embora as pesquisas científicas sugiram uma relação entre o padrão
de respiração oral e o padrão de alimentação, há carência na literatura nacional
de estudos que analisem se esse modo de respirar interfere no estado
nutricional. Devido a diversidade dos sinais e sintomas apresentados pelo
respirador oral, profissionais em diferentes áreas de atuação têm se envolvido
22
cada vez mais com esses pacientes, por meio de uma intervenção
interdisciplinar.
(5)
Assim, o objetivo deste artigo é apresentar uma revisão da literatura que
aborda a questão de como as alterações miofuncionais orofaciais presentes no
indivíduo respirador oral podem repercutir sobre o estado nutricional. Pretendese
ainda enfocar a importância da equipe interdisciplinar no acompanhamento
das alterações globais presentes nos indivíduos afetados. A presente revisão
foi realizada a partir de artigos publicados em revistas científicas indexadas,
livros e trabalhos de pós-graduação. A maioria dos artigos foi identificada a
partir das bases de dados, LILACS, MEDLINE e SCIELO.
2.1 RESPIRAÇÃO ORAL: CAUSAS MAIS COMUNS
A respiração oral crônica pode ser definida como uma respiração
habitual pela boca, em vez de ser realizada pelo nariz.
(6)
Os obstáculos nas vias aéreas superiores, comumente, são causados
por anormalidades estruturais, doenças nasossinusais ou hipertrofia do anel
linfático de Waldeyer (composto pelas tonsilas faríngeas/adenóides,
palatinas/amígdalas, tubárias e linguais). Sendo citados como freqüentes os
processos infecciosos, deformidades septais, fratura nasal, rinite
medicamentosa, tumores nasais e fossas nasais estreitas.
(2)
Outras causas menos comuns podem ocorrer como tumores, pólipos
nasais, atresia de coana e deformidades congênitas da cavidade nasal.
(7)
Existindo ainda situações que, embora não levem à obstrução nasal, são
23
responsáveis pela respiração oral, entre elas: obstrução hipofaríngea,
macroglossias e insuficiência labial.
(2)
Pode ainda existir a presença da respiração oral por hábito, isto é, a
manutenção da respiração oral mesmo após a instituição de tratamento que
assegure a permeabilidade das vias aéreas superiores (VAS).
(1)
Com o objetivo de identificar as principais causas de respiração oral
em crianças, foi realizado um estudo investigou 104 crianças, sendo 48
(46,15%) meninas e 56 (53,85%) meninos com idade de três a 10 anos, com
queixas clínicas de respiração oral crônica, encaminhadas à Clínica de
Fonoaudiologia. Foram realizadas avaliação otorrinolaringológica completa,
avaliação fonoaudiológica (observação visual e palpação dos elementos do
sistema estomatognático) e exames complementares, como radiografia do
cavum, audiometria tonal liminar e imitanciometria. Os resultados revelaram
como principais causas de respiração oral a rinite alérgica, em 34 (32,69%), a
hipertrofia de adenóide, em 12 (11,54%); hipertrofia de amígdala, em 4
(3,85%), a hipertrofia de adenóide e amígdala, em 7 (6,73%), por hábito, em 8
(7,69%) e doenças associadas, em 39 (37,5%) crianças.
(2)
Foi realizada uma pesquisa com 30 pacientes com o objetivo de
avaliar os tipos mais comuns de deformidades crânio-faciais encontradas em
pacientes com obstrução nasal crônica, através de análises cefalométricas e
exame otorrinolaringológico, comparando com um grupo controle sem
alterações nasais
. Destes, foram selecionados os que se apresentavam na
faixa etária entre sete e 12 anos, visto que as manifestações crânio-faciais
decorrentes da respiração oral tornam-se mais evidentes com o decorrer da
idade. Os pacientes com mais de 12 anos de idade foram excluídos,
24
considerando-se que as queixas de obstrução nasal após esta idade reduzem
consideravelmente. Observaram, quanto ao tipo de obstrução respiratória, que
5 (16,67%) pacientes apresentavam hipertrofia adenoideana isolada, 5
(16,67%) apresentavam hipertrofia de cornetos inferiores isolada (decorrente
de rinopatia alérgica perene), 5 (16,67%) tinham desvio septal isolado, 2
(6,66%) com respiração oral por hábito e nenhum dos pacientes apresentou
hipertrofia amigdaliana como causa isolada de obstrução nasal.
(8)
Uma das causas que também pode levar à respiração oral é o
desmame precoce. O lactente em aleitamento materno mantém a postura de
repouso de lábios ocluídos e respiração nasal, mas quando ocorre o desmame
precoce, a postura de lábios entreabertos do bebê é mais comum, facilitando a
respiração oral. A introdução de mamadeiras, chupetas e hábito de sucção de
polegar podem levar à ruptura do desenvolvimento motor-oral adequado,
provocando alterações na postura e força dos órgãos fonoarticulatórios como
lábios, língua e bochechas, prejudicando as funções de mastigação, deglutição,
respiração e articulação dos sons da fala. Com isto, a falta da sucção
fisiológica e adequada ao seio pode interferir no desenvolvimento motor-oral,
possibilitando a instalação de má oclusão, alteração motora-oral e respiração
oral.
(9)
Para observar as alterações em morfologia facial encontradas no
grupo de respiradores bucais e compará-las com um grupo de crianças da
mesma idade, com respiração predominantemente nasal, alguns autores
realizaram uma avaliação cefalométrica e miofuncional em 35 crianças de sete
a 10 anos com queixa de respiração oral. As alterações cefalométricas mais
comuns encontradas em respiradores orais, comparando-os com os
25
respiradores nasais, foram a hipoplasia maxilar e mandibular e aumento do
ângulo goníaco, com rotação póstero-inferior da mandíbula. As alterações
miofuncionais orais em respiradores orais mais comuns foram a postura dos
lábios entreaberta e da língua em assoalho oral, a hipotonicidade dos lábios, da
língua e das bochechas e a interposição da língua entre as arcadas durante a
deglutição e a fonação. Em relação aos hábitos das 14 crianças respiradoras
orais, 11 (78,57%) fizeram uso da mamadeira, 6 (42,85%) fizeram uso da
chupeta e 1 (7,14%) tinha o hábito de sucção digital por mais de dois anos de
duração. Apenas 2 (14,28%) não tinham hábito algum por tempo
prolongado.
(10)
O mais importante é salientar que independentemente da causa, a
respiração oral na infância pode resultar em alterações orgânicas progressivas
e conseqüências diversas.
(8)
As alterações de forma e/ou de função quando tratadas por uma
equipe interdisciplinar poderão ou não ser resolvidas, pois a resolução dos
problemas também é dependente do tempo de instalação. Às vezes, mesmo
trabalhando em conjunto, pode-se apenas minimizar estes problemas.
(11)
2.2 RESPIRAÇÃO ORAL: REPERCUSSÕES NO PROCESSO DE
APRENDIZAGEM ESCOLAR
Acompanhando as características físicas, a criança com respiração
oral, em função dos sintomas pertinentes ao seu quadro clínico, pode ter seu
desenvolvimento social e cognitivo comprometido. Geralmente exige-se da
26
criança da criança uma rotina de tarefas que nem sempre ela está em
condições de responder pelas alterações provocadas por respirar pela boca.
(12)
Com o objetivo de comparar os achados de sonolência diurna, cefaléia,
agitação noturna, enurese, problemas escolares e bruxismo em indivíduos com
respiração oral, foi realizada uma pesquisa prospectiva com 142 pacientes, de
ambos os sexos, entre dois e 16 anos, no período de abril de 2001 a dezembro
de 2002. Os voluntários foram classificados em três grupos de etiologia da
respiração oral: rinite alérgica, hiperplasia adenoideana isolada e hiperplasia
adenoamigdaliana. Constatou-se que o déficit de atenção e o mau
desempenho escolar foram mais freqüentes no grupo com hiperplasia das
tonsilas faríngea e palatina associados à apnéia.
(13)
A literatura relata que os respiradores orais geralmente são inquietos,
agitados e impacientes, estão sempre cansados, sonolentos, isto acontece por
existir uma menor oxigenação cerebral, pois o sono é agitado e entrecortado,
podendo repercutir no desempenho escolar.
(14)
Para detectar se a defasagem escolar era conseqüência ou não da
respiração oral, alguns autores avaliaram o aspecto respiratório de 237 alunos
em sala de aula, uma vez por semana, uma hora em cada sala, num período
de seis a oito semanas. Os resultados mostraram que 32 alunos (13,5%)
respiradores orais apresentaram dificuldade de aprendizagem.
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Fresco - Técnicas para manter sues alimentos frescos por mais tempo e dicas de como ter sua horta urbana.

Integral - Todas as receitas usam ingredientes integrais, ou seja não processador, não desidratados, não modificados, não conservados.

Maduro - Saiba quais alimentos deveríamos comer maduros e quando saber quando está em seu melhor momento.

Orgânico - Coneça as vantagens de se consumir produtos orgânicos

Vegano - Saiba como tirar de sua dieta produtos de origem animal com responsabilidade, consciência e vantagens...

Afinal de contas são 6 anos de experiência 2 anos trabalhando nos melhores SPAs da Europa e tudo isto para que você possa aprender a melhor sua saúde, de sua família e contribuir no bem estar do planeta.


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